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Resenha: O Segredo do meu turbante - Nadia Ghulam e Agnès Rotger

  • Foto do escritor: Samantha Santos
    Samantha Santos
  • 4 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

Nesta biografia verdadeira Nadia Ghulam mostra a sua relidade como uma mulher afegã em meio ao dominho do Talibã


O segredo do meu turbante conta a história de Nadia Ghulam, uma menina afegã que viu a sua vida mudar completamente com a chegada do Talibã em Cabul, no Afeganistão, em 1996. Se viu ter que vestir as roupas de seu irmão mais velho e ser a provedora da casa aos 10 anos. 


Filha de um grande comerciante da região, Nadia tinha uma infância feliz, estava frequentando a escola e se sentia segura, na companhia do seu irmão mais velho, Zelmai e suas duas irmãs mais novas, em sua  casa, que nas sextas era sempre cheia de amigos e parentes para as festas que a sua família dava, regadas de muita comida e alegria. Mas, com o tempo, Nadia via que algo estava mudando, percebia conversas acaloradas do seu pai com amigos referentes à situação do país.


O segredo do meu turbante, livro publicado pela ediroa Globo Livros
O segredo do meu turbante, livro publicado pela ediroa Globo Livros

Com o passar do tempo, as sextas foram ficando mais vazias, as mulheres começaram a usar burca e ficaram mais em casa. O seu pai havia perdido a loja de tapetes e o dinheiro começou a ficar mais escasso com as bombas que caíam, e tinham que buscar um lugar seguro. Em uma das poucas noites em que todos conseguiram se juntar como antes em um jantar na casa da sua tia com a presença de primos, o inesperado aconteceu. Uma bomba acabou caindo no local onde Nadia estava brincando. E nada mais se viu. 


Quando acordou, estava em uma cama de hospital, sentia dor no rosto e corpo, não entendeu o choro de sua mãe nem fazia sentido as palavras ditas por ela. Ao olhar à sua volta, viu centenas de outros corpos como o seu, crianças acamadas, sangrando, acompanhadas de seus pais ou sozinhas. Até que a sua mãe explica com calma, a bomba que a atingiu foi há 6 meses e desde então eles estavam sem casa e morando de favor na casa de parentes ou em abrigos. A guerra que Nadia viu no começo tinha se prolongado e ficado bem mais feroz do que ela poderia imaginar.  


E assim começou a luta de Nadia para fazer cirurgias para a reconstrução da face e cuidar das cicatrizes que iria  acompanhar pelo resto da vida. No meio desse turbilhão de acontecimentos, suas irmãs mais novas foram passar um tempo com uma tia, o seu irmão mais velho sumiu e seu pai ficou incapacitado de trabalhar com problemas mentais. 


Não tinha por onde correr. Nadia teria que assumir a responsabilidade de trazer o dinheiro para casa, mas como menina ela não conseguiria fazer nada, então Nádia começou a usar as roupas do seu irmão mais velho e Zelmai retornou à família, mas no corpo de Nadia e isso durou por mais de 10 anos. 


Em O segredo do meu turbante, Nadia mostra, através da sua biografia, a verdade da menina que teve que abandonar a sua infância, adolescência e até o seu gênero para conseguir levar o que comer para casa e auxiliar a sua família da melhor forma possível, vivendo em uma sociedade onde ser mulher significa não ter valor e não ser prioridade da forma que merece. Porque no meio de uma guerra as mulheres acabam sendo uma das principais vítimas, são cortados dos seus direitos de estudar, trabalhar e existir. 


Nadia relata com dor em suas palavras todas as suas dores, tanto físicas quanto mentais. O peso de carregar uma família inteira nas costas, sendo somente uma menina e com responsabilidades que deve ter para sobreviver, ao mesmo tempo mostra que ser “homem” em uma sociedade tem os seus privilégios inimagináveis comparados aos das mulheres que nem podem sair de casa desacompanhadas. 


Sua biografia deixa claro para a sociedade como uma guerra afeta as mulheres e principalmente como são elas as que mais sofrem em um mundo onde seus direitos estão sempre em questionamento. Por isso, Nadia luta até hoje para que jovens mulheres deixem o Afeganistão, já que o Talibã voltou ao poder.  


A primeira usurpação do Talibã no Afeganistão foi até 2001, quando os Estados Unidos entraram com soldados, em resposta aos ataques de 11 de setembro e com o objetivo de derrubar o Talibã que abrigou o líder da Al-Qaeda. Porém, os retratos de todo autoritarismo e misoginia para mulheres continuaram empregados na sociedade de uma forma que levaria um tempo até que as garotas voltassem a estudar. Infelizmente, o Talibã voltou a dominar no Afeganistão no ano de 2023, após as tropas americanas saírem do país, e o regresso voltou para Cabul e para as mulheres. 


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