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Resenha: O Consentimento - Vanessa Springora

  • Foto do escritor: Samantha Santos
    Samantha Santos
  • 27 de jan.
  • 3 min de leitura

Confira a resenha de O Consentimento, de Vanessa Springora, um relato autobiográfico forte sobre abuso, manipulação e as marcas deixadas pelo silêncio.


O Consentimento é um relato autobiográfico de coragem e liberdade da autora francesa Vanessa Springora, sobre o homem que roubou a sua adolescência e a falta de proteção que recebeu perante a sociedade e os seus responsáveis.


Capa do livro "O CONSENTIMENTO" de Vanessa Springora
Capa do livro "O CONSENTIMENTO" de Vanessa Springora

Na Paris dos anos 80, a sociedade não via com estranheza um escritor renomado de 50 anos desfilando com uma adolescente de apenas 14 sem o seu responsável por perto, e muito menos, levando-a como convidada para programas de televisão onde falaria do seu próximo livro. 


Nesta autobiografia, Vanessa Springora conta com detalhes como a sua adolescência foi usurpada de uma forma tão trágica e como a sociedade não escandalizava com o acontecido em frente aos seus olhos, e até mesmo o que era publicado.


Vanessa começa a sua autobiografia contando da relação conturbada com o pai e dos ciúmes compulsivos que ele tinha com a mãe, transformando-se rapidamente em agressividade. Após a separação e no meio das várias mudanças de endereço, Vanessa e sua mãe viviam com um orçamento apertado, mas tinham o necessário para sobreviver. 


Em uma noite, Vanessa acompanhou sua mãe em um jantar, onde estava a nata intelectual de Paris. Em um canto da sala estava o escritor Gabriel Matzneff, que estava no auge do seu sucesso, com livros que falavam sobre: política, dandismo, fé religiosa e, acredite se quiser, pedofilia. Exatamente, naquela época um dos escritores mais “badalados” da França era um homem que falava sobre a sua relação sexual com adolescentes (de ambos os sexos). 


O escritor Gabriel, de 50 anos, de cara se encantou por Vanessa, de apenas 14 anos, e a partir desse momento ele começou uma peregrinação para conquistar a jovem. De início, causou uma estranheza em sua mãe, mas após um tempo obteve total apoio. Como não se comover com o amor de escritor à sua filha menor de idade, não é mesmo?


Durante o convívio com Gabriel, Vanessa vê a sua vida mudar por completo. Uma criança que tem uma vida de casada com um homem bem mais velho não deve ser algo para vangloriar. Gabriel busca Vanessa na escola, ajuda nos deveres de casa e assume um lugar paterno, mas com relações que estão longe da paternidade. Vanessa vê esse “amor” que ele tem por ela com os olhos de uma criança, que foi totalmente esquecida pelos responsáveis, carente de afeto e de alguém que realmente se importa com ela. 


Ao olhar de algumas pessoas, causa estranheza como esse homem vem buscar uma criança na escola. Alguns parentes e amigos de sua mãe demonstram desconforto com a situação e a maneira que acham mais plausível é manter o relacionamento em segredo.


Com o passar do tempo, Vanessa entende que a situação na qual a sua vida se encontra não faz o menor sentido para uma adolescente. Indo mal na escola, tendo problemas com os demais jovens, Vanessa percebe que necessita sair da mão daquele abusador. Agora, com a ajuda do seu amigo, Youri percebe que, no auge dos seus 15 anos, não podia mais viver daquele modo. 


Decidir terminar com Gabriel é muito mais do que terminar com um simples namorado, é dizer adeus ao ciclo de abuso que vinha sofrendo. A partir daí, sente a dor que aquele homem lhe causou, e como os seus responsáveis não fizeram o papel principal de proteger uma criança de um predador sexual. Que nitidamente escolhia jovens descompensadas de afetos familiares para se aproveitar e as afastava de tudo o que importava, inclusive delas mesmas. 


A partir do capítulo V: Marca Profunda, Vanessa demonstra uma bravura inconfundível, de uma mulher que teve ⅕ da sua vida roubada por um caçador de puberdade. Mostra todos os efeitos mentais que causa em jovens que são vítimas de pedófilos, os medos, inseguranças, traumas e incertezas da vida entram em trilhos novamente. E como ter apoio mental para tirar toda a culpa instalada nelas é algo que vai ser desenvolvido com o tempo e cuidado dado para cada trauma. 


Mas mesmo assim, Vanessa ainda abre uma reflexão sobre as editoras ainda publicarem livros de homens que deixam explícitos que suas histórias são casos reais, onde relatam vivências sexuais com menores de idade. No caso de Gabriel Matzneff, em 2013 ele ainda recebeu um dos principais prêmios da literatura francesa, o Prêmio Renaudot (um prestigiado prêmio literário francês concedido anualmente para um romance ou ensaio) pelo conjunto da obra. Como podem obras que têm relatos tão repugnantes receber prêmios de grande relevância?


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