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Resenha: Especial - Ryan O’Connell

  • Foto do escritor: Samantha Santos
    Samantha Santos
  • 24 de fev.
  • 3 min de leitura

Nessa autobiografia, Ryan O'Connell mostra como um jovem gay e com paralisia cerebral tenta driblar os desafios e vencer no mundo corporativo


Em Especial, uma autobiografia divertida e sarcástica de Ryan O’Connell, que retrata a vida de um jovem da geração millennial com paralisia cerebral e gay ao tentar levar a vida da  melhor forma possível para sobreviver na selva de pedra que é o mundo corporativo. Tendo  a plena noção de que, no final de contas, comprar a casa própria vai ser muito mais difícil do que no tempo dos seus pais. Pode acreditar, não é um desabafo de quem vos escreve essa resenha, mas sim, de um Millennial que sabia exatamente como o mundo funciona. 


Livro Especial, de Ryan O'Connell da editora Galera.
Livro Especial, de Ryan O'Connell da editora Galera.

Ryan descreve a sua vida e mostra sua insignificância na existência terrestre e como ter paralisia cerebral e ser gay não é o maior dos problemas. Sendo o filho do meio, Ryan vê a separação dos seus pais não de uma forma dramática nem mimada, mas realista. Indo morar com o seu pai, vê o seu “quarto”, sendo basicamente dentro de um armário, e almeja que a vida mude quando for para a faculdade. 


Já era assumido para seus pais e amigos quando teve o primeiro namorado, mas não estava preparado para a primeira decepção amorosa. Em um dia, ele simplesmente percebeu que a sua vida não tinha mais sentido ao lado de Ryan, e mais uma vez os planos de ir para a mesma faculdade do namorado já não faziam mais sentido em seus planos perfeitos. E a frustração lhe coloca mais uma vez em primeiro plano e a realidade bate à sua porta, mostrando ser bem diferente da que desejamos. 


Chegando ao momento de reflexão que todo jovem em início de carreira já se fez: “Será que foi uma boa ideia seguir o seu sonho?” Como os chefes que não acompanham o crescimento da tecnologia e não entendem uma nova geração de jovens, ao mesmo tempo, a forma que as empresas querem pagar misérias pelos trabalhos feitos, e que questionam as suas decisões ao longo da vida (quem nunca passou por isso, né?).


O sonho de crescer pelo meio editorial norte-americano não é fácil. Ryan entende como as empresas funcionam e, ao mesmo tempo, tentando fazer as pazes consigo mesmo, conhece o mundo das drogas. Para relaxar do trabalho ou focar nas suas metas, chega ao encontro com o vício em opioides (vício em analgésicos potentes que trazem relaxamento ao corpo e mente, muitos usados para tratamentos de dor intensa). Exatamente nesta fase, conecta-se com pessoas que estão usando as mesmas substâncias e os mesmos vícios, até chegar a um ponto em que decide acabar com a história com as drogas antes que as drogas acabem com ele.  


A autobiografia de Ryan O’Connell não é muito diferente de qualquer filme norte-americano. Narra a vida de jovens frustrados com a era em que estamos vivendo, que não veem futuro no trabalho, ou as perspectivas de ter a tão sonhada casa própria. Já Ryan fala da sua vida com a doença que o acompanha desde a infância, sua sexualidade e o vício em opioides. As frustrações com o capitalismo acabam fazendo parte daquele aglomerado de aborrecimento. 


Nessa autobiografia, Ryan O'Connell mostra como um jovem gay e com paralisia cerebral tenta driblar os desafios e vencer no mundo corporativo
Nessa autobiografia, Ryan O'Connell mostra como um jovem gay e com paralisia cerebral tenta driblar os desafios e vencer no mundo corporativo

No começo do livro, achei que ele reclamava muito de tudo, mas depois percebi que, se estivesse no lugar dele, também reclamaria e ainda reclamaria mais.

 

Ryan O’Connell termina a sua autobiografia fazendo uma reflexão da sua curta experiência na terra até ali: de um garoto que nasceu com paralisia cerebral, gay, foi atropelado na faculdade, perdeu alguns amores e amigos e fez novos, ao mesmo tempo conseguiu crescer na vida profissional e se livrou das drogas. Em um mundo onde estamos mais conectados que as antigas gerações, até que estamos indo bem (por enquanto). Ryan sente uma pontada de sorte, os seus pais tiveram que amadurecer muito cedo e hoje ele sente que os Millennials não têm essa obrigação. E estão fazendo as coisas no jeitinho deles e no seu tempo. 


Uma reportagem do Profissão Repórter, feita em 2023, mostra como o vício em opioides já era muito frequente entre os jovens e como o crescimento mundial era alarmante e preocupante. Lembrando que, se você conhece alguém que sofre com vícios em opioides ou qualquer outra droga, pode ajudar procurando o Narcóticos Anônimos (NA) na sua cidade ou o CAPS AD (Centros de Atenção Psicossocial-Álcool e Drogas), que dependendo da região do Brasil pode funcionar 24H. 



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